sábado, 1 de dezembro de 2012

Cinema - Amour

Eu vinha planejando há semanas ir ao cinema para ver Amour, filme vencedor da Palme d'Or no festival de cinema de Cannes, mas a correria não me permitou fazê-lo antes de hoje.
Pela sinópse eu sabia um pouco o que esperar. Na primeira cena Anne e George aparecem numa platéia, sentados nas cadeiras vermelhas, como nós espectadores de cinema... Acredito que ai começa a identificação. Anne e George são pessoas cultas, professores de música aposentados, octagenários, que vivem em um velho apartamento parisiense. 
Um dia, tomando o café da manhã, Anne tem um AVC o que vai mudar pra sempre a vida do casal.
George e Anne enfrentam com coragem e sem lágrimas nos olhos essa difícil fase da vida conjugal. O amor que os uni é colocado a prova.
Não contarei o final pra não estragar a surpresa dos que talvez desejem assistir.
Só adianto que os espectadores ao fim do filme permaneceram sentado, passou-se uns 3 minutos antes que as pessoas estarrecidas caminhassem para a saída, sem nenhuma palavra, sem nenhum ruido. 
Fazia tempo que não via um filme assim, delicado e comovente...
Talvez nunca mais volte a assisti-lo, mas ele vai estar guardado entre os melhores que já vi. 
Se tiverem a oportunidade de ver, vejam, vale a pena, vale o ingresso, vale a reflexão. 


  


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Hallow Evening – ‘A noite sagrada’


O halloween é uma festa de origem celta, tratando-se de uma comemoração pelo fim do verão (fim das colheitas). Nestas comemorações se homenageavam os mortos, que para os celtas habitavam 'um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor'. A festa era celebrada com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.
Eu nunca tive por hábito celebrar o halloween, entretanto em 2009, tive o prazer de comemorá-lo em Dublin, com direito ao carnaval que se faz nessa noite. Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje, era um sabado, e naquela tarde eu começei a fazer a mudança da casa da família irlandesa que me acolheu, para o apartamento, com os novos colegas estrangeiros. A noite eu deveria encontra-los na O’connel Street para irmos todos juntos as comemorações no Temple Bar.
Ainda no ônibus com destino ao centro, eu via todo aquele movimento, todas aquelas pessoas fantasiadas, engarrafamento, muito barulho, e eu, récem chegada... Aquilo para mim era présagio de uma noite inesquecível.
Chegando na O’connel encontrei com o Daniel (colega brasileiro que estava me cedendo a vaga no apartamento) e um dos outros flatmates, um tal Cédric. Fomos todos juntos encontrar a Hyeri, a colega coreana, com quem eu dividiria o quarto. Uma vez reunidos tentamos encontrar um lugar para nos divertir, todos os bares cheios, temple bar lotado de gente, confesso que aquela festa me assustava um pouco, mas o meu flatmate francês parecia perceber em meus olhos minha hesitação, e ele ficou ali do meu lado a noite inteira, a nossa comunicação era precária, nosso nível de inglês vexatório. Mas insistimos, ele me ofereceu uma bebida, timidos dançamos um pouco, rimos um bocado. E voltamos para casa todos juntos em baixo de uma chuva gelada. Eu não sentia meus pés, talvez porque aquela noite meus pés não pisaram o chão. 
Era visível o meu encantamento por aquele moço gentil. Naquela noite nada foi normal, um diálogo sem palavras, nossos olhos se entendiam... Talvez, como diz a tradição do halloween, nossos antepassados voltaram para nos visitar e nos guiaram para esse encontro tão esperado.
Ainda levamos um mês para reconhecer o interesse mútuo, e nos render-mos à paixão, mas nós dois sabiámos, que desde aquela noite mágica já estávamos enlaçados... E isso já faz três anos. 
CDP./

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Mes alliances

'Mes alliandes' é o título em francês do que o meus amigos brasileiros melhor conheçam como 'compremetida' livro da escritora americana mundialmente conhecida após 'eat pray love', 'comer rezar e amar', Elizabeth Gilbert. 
Lançado entre 2010 e 2011, o livro traz um grande ensaio sobre historias de amor e casamentos, por vários angulos, em várias culturas e enfrentando temas sensíveis como: desejo, fidelidade, tradições familiares, e risco de divórcio. 
Gilbert, como grande habilidade nos empresta novamente a sua biografia, seu olhar sincero e determinado para traçar uma grande linha do tempo que nos ajuda a entender essa instituição sobre a qual se fundamenta a sociedade moderna. 
Leitura rápida, simples e enriquecedora. Valeu cada centavo dos €7,10 investidos.

“Não há risco maior que o matrimônio. Mas nada é mais feliz do que um casamento feliz.” Benjamin Disraeli, 1870, numa carta a Louise, filha da rainha Vitória, cumprimentando-a pelo noivado



        

Séjour português

Eu não escolhi vir para Portugal, aconteceu!
Na procura por um estágio import-export, que a priori queria realizar no Brasil, as portas se abriram para uma pequena trader de sardinha, o proprietário muito gentil respondeu a meu telefonema, estabelecemos contato, enviei currículo, mais telefonemas e pronto, estava eu no avião rumo a Porto.
De Porto até a Guarda são mais 200 km. A Guarda é a cidade mais alta de Portugal, à 1.050 metros do nível do mar. De Guarda até a pequenina Valhelhas distrito onde fica a propriedade 'Quinta do Botão' são mais 22 km de uma estradinha de montanha, de subidas e descidas, curvas fechadas, e uma vista linda, ainda mais no outono de árvores multicoloridas.
Um vez em Guada me estabeleci na casa de uma moradora da cidade, que aluga quarto para estudantes em seu apartamento. Dona Clara! Que achado gracioso esse, num anúncio da internet. Quarto confortável, cama de casal, criado mudo com abajour, um guarda-roupas espaçoso e uma singela escrivaninha, mais que o necessário para a minha breve estada.
Dona Clara é ótima. Levou-me ao supermercado, indicou-me uma cabelereira, o posto com gasolina mais barata, depois que esfriou, ela entrega-me todas as noites uma bolsa de água quente para que eu mantenha meus pés aquecidos. Vez ou outra ficamos na cozinha a conversar ao redor da lareira... Frutas do Brasil, reis de Portugal, as civilizações antigas, saúde, culinária, filhos (ela tem um casal que mora em Lisboa para estudar), o frio da serra, o Algarve, o Alentejo, Saramago, a França, a Europa, a Sra. Merkel, a crise...
A crise está pondo esta gente de joelhos, cansados de pagar a conta de um Estado à beira da falência... Os portugueses arrumam alternativas, assim como a dona Clara, que aluga quartos, trabalha nos fins de semana em atividades turisticas, tudo para reforçar o orçamento e garantir o estudo dos filhos. Economia é a palavra de ordem neste país.
Uma outra palavra é velhice... Nos vilarejos da serra, eu vejo apenas gente velha, jovens e crianças são uma população inexpressiva. A crise maltrata essa gente, que trabalhou uma vida inteira e mesmo na velhice continuam a ser o sustento de algumas famílias.
Mas deixemos a crise de lado, essa gente trabalhadora vai dar a volta por cima, sei que vai, o velho mundo precisa se reinventar.
Vir a Portugal reaproximou-me de minhas raízes, trouxe-me o bem de beber água da fonte. Não foi somente  a picanha, as mangas, o feijão com arroz, nem muito menos o fato de me expressar em português a maior parte do tempo, é algo muito mais intímo que não consigo comunicar. E como visitar os avós e encontrar aquela gaveta com as suas coisas, uma passagem secreta entre o passado e o presente, e você olhar para o passado sem dor, tudo aquilo te pertenceu e você pega o que quiser, guarda o que quiser, aquilo nunca esteve longe de você...
Sobre o que trouxe-me aqui, o estágio, cumpre perfeitamente sua função, aprendizado, responsabilidade, flexibilidade e algum tempo livre destinado a explorar. Aquilo que a vida escolhe para a gente é sempre o melhor.

CDP./

Algumas fotos de Valhelhas e Guarda...






sábado, 20 de outubro de 2012

Pra começar...

Eu vim pelo caminho difícil... 
Aos 30 anos, já mudei de carreira uma vez, já mudei de país uma vez, já me casei uma vez (na esperança de seja para a vida). 
Erros, cometi vários, mas não carrego remorsos, meus erros me garantiram estar aqui, e poder usufrir minha vida tal qual ela é.
Adoro viajar, ouvir música, degustar um bom vinho, cozinhar, assistir filmes (em casa ou no cinema), passear no parque, brincar com cachorro, tomar banho de mar... Prazeres tão banais, comuns a quase todo mundo.
A vida é especial porque é simples. E o cotidiano é repleto de histórias, sentimentos, de verve, e é disso que alimento-me e quero aqui resgistrar.  
A todos aqueles que querem dividir um pouco de si comigo, sejam muito bem vindos.

CDP./